As constantes ocorrências ufológicas registradas nos arredores dos municípios fronteiriços à Serra da Mantiqueira (Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo), há muito despertam a atenção de abnegados ufólogos. Alguns deles, inclusive, em virtude do grande número de observações de naves extraterrestres nesses locais, formaram grupos especializados no estudo do Fenômeno UFO, para melhor recolher, catalogar e interpretar os depoimentos das testemunhas desses acontecimentos. Esse foi o caso do saudoso Grupo de Estudos de Objetos Aéreos Não Identificados (Geoani), sediado na cidade de Itajubá. Presidida por Antônio Magalhães Lisboa, a equipe era formada, entre outros, pelo professor Hélio Mokarzel, catedrático do Instituto de Eletrônica de Itajubá, o engenheiro Augusto Olimpo Tocantins de Araújo e o médico João Pereira.

Onda Ufológica em Itajubá

Situada à margem direita do rio Sapucaí, à 856 m de altitude e distante cerca de 418 km de Belo Horizonte, 85 km de São Lourenço e 256 km de São Paulo, Itajubá contava, em 1967, com pouco mais de 30 mil habitantes. Seus moradores, na maioria das vezes, se dedicavam à agricultura, ao comércio e às indústrias de fiação e tecelagem _ atualmente a economia local também é movida pelo setor de componentes eletrônicos, helicópteros, metalurgia e até mesmo material bélico. No segundo semestre de 1967, a cidade e outras regiões do sul de Minas Gerais foram palco de uma espetacular onda ufológica _ estranhos objetos voadores podiam ser vistos freqüentemente. Imbuídos do compromisso de recuperar, ao menos em parte, a história da Ufologia, resgatamos a desvelada pesquisa de campo efetuada na época pelo Geoani, contida no artigo Serra da Mantiqueira: Local Preferido Pelos OVNIs, do jornalista, astrônomo amador e ufólogo A. S. August, que no final daquele ano o incluiu na sensacional série O Estranho Mundo dos Discos Voadores, de sua autoria, publicada pelo jornal Diário Popular, de São Paulo. Um dos primeiros fenômenos ufológicos na cidade tratou-se de um contato de terceiro grau, ocorrido na madrugada fria de 05 de junho. Eram cerca de 24:30 h quando o motorista Geraldo Baqueiro retornava do Rio de Janeiro conduzindo uma ambulância. Momentos antes, ele havia parado em Piquete, subindo depois a serra com destino a Itajubá. A viagem, que até então era tranqüila, foi interrompida à três quilômetros do alto da serra por uma luz vermelha que, a primeira vista, nada mais era do que a luz traseira de um caminhão. Contudo, à medida que a luz foi se aproximando, e piscava, o motor da ambulância começou a falhar. Isso foi acontecendo gradativamente, até que, em uma curva no alto da serra, ele parou por completo. Ao mesmo tempo, o rádio emudeceu e os faróis apagaram. Nesse instante, Baqueiro notou diante de si, flutuando a uns cinco metros de altura, um disco voador branco e metálico, redondo, com cerca de 15 m de diâmetro. Um detalhe interessante é que ventava muito nas proximidades do local, o que o levou a imaginar que tamanha agitação provinha do que chamou de "escapamentos do objeto".

Através de um visor semelhante a um pára-brisa, alguns seres, que lembravam figuras de gatos com porte de homens, observavam o motorista atentamente. Sem ter idéia de quanto tempo permanecera ali, ele recordava-se apenas que, quase imediatamente, o objeto pôs-se a subir, desaparecendo no horizonte por trás da montanha. Logo em seguida, os faróis da ambulância reacenderam, o rádio voltou a funcionar e o vento cessou. De volta ao veículo, Baqueiro seguiu viagem, mas somente chegou em sua casa, na cidade de Itajubá, cerca de quatro horas depois. Temendo que o julgassem louco, ele confiou o relato somente à sua esposa, porém, os vizinhos logo ficaram sabendo. O fato chegou ao conhecimento do professor Hélio Mokarzel, do Geoani, que submeteu Baqueiro à hipnose _ desta forma foi possível apurar os acontecimentos. Quase um mês depois, às 13:30 h do dia 03 de agosto, João Vicente [Os nomes utilizados são fictícios a pedido das testemunhas], morador de Itajubá, observou um objeto discóide realizando evoluções em movimento oscilatório. Com o auxílio dos binóculos, ele pôde notar que o UFO descia em direção ao Vale de Anhumas, ao sul de onde se encontrava. Naquela mesma tarde, entre 14:00 e 15:00 h, o funcionário público federal Reinaldo Flores avistou uma "bacia metálica voadora", como descreveu, que emitia um forte zumbido e saiu do Vale de Anhumas em ascensão inclinada, à 45° sudeste.

O Geoani, em investigações feitas in loco, constatou que realmente foi ouvido um forte zumbido naquele dia. Outra testemunha, inclusive, afirmou que, ao mesmo tempo, viu uma "coisa amarela" subir em direção ao céu. Então, considerando os vários depoimentos, o grupo concluiu que o objeto teria pousado ou permanecido pairando no ar, a baixa altura, por cerca de 40 minutos. Exatamente às 24:00 h de 10 de agosto de 1967, Márcio Gomes, morador do Bairro Cruzeiro, e mais quatro pessoas de sua família viram um objeto metálico que, de acordo com seu trajeto, mudava repentinamente de cor e direção. O estranho aparelho estava a uma altura aparente de 50 m e também emitia um forte zumbido. Das quatro pessoas presentes, a que portava os binóculos definiu o aparelho como "uma bola com abas" ou "dois pratos, com uma bola em cima e outra embaixo". Inicialmente, o UFO estava a baixa velocidade, mas depois partiu feito um bólido na direção oeste-leste. Durante todo o tempo que durou a observação - cerca de 15 minutos - a família notou que os cães da vizinhança não pararam de latir. Eles somente silenciaram após o afastamento do objeto.

Às 19:30 h de 19 de agosto, no bairro de Varginha, ainda em Itajubá, Luiz Henrique, em companhia de um casal e um garoto de 14 anos, observou três estranhas esferas metálicas. Elas eram semelhantes a uma bola de futebol e caminhavam juntas, mantendo entre si uma distância de aproximadamente 50 m e uma altura de 500 m, rumando velozmente para a Serra da Mantiqueira. Às 03:35 h de 21 de agosto do mesmo ano (1967), José Bernardo acompanhou, durante três minutos, a passagem de um objeto azul, voando a baixa altitude na direção sudoeste-norte e emitindo um ruído semelhante ao zumbido de abelhas. O que mais chamou a atenção foi o fato de que do aparelho pingava uma substância parecida com ouro.

Aproveitando a onda de estranhos fenômenos, o grupo ufológico realizou uma vigília em Itajubá no final de agosto. Certa noite, por volta das 20:20 h, um de seus membros alertou os demais para uma esfera luminosa que despontava sobre o morro. No início, não era possível afirmar que se tratava de um disco voador, principalmente porque a visibilidade era prejudicada pela intensa fumaça das queimadas, comuns naquela época do ano. Entretanto, pouco tempo depois, o objeto, que estava a um ângulo de 90º em relação à Lua, dividiu-se ao meio, no sentido horizontal, transformando-se em duas calotas esféricas.









Naves Coloridas

Moradores da Serra observam estranhos aparelhos. Numa ocorrência, a nave tinha aspecto metálico e forte iluminação. Flutuava a uma altura de 50 m e emitia forte zumbidoplanetas


 


De dentro da inferior saíram outros três objetos luminosos, que desapareceram atrás do morro juntamente com a calota inferior. Após algum tempo, os aparelhos regressaram e a esfera se recompôs, fez várias evoluções e foi diminuindo sua luminosidade até apagar. Nessa altura, os observadores já haviam solicitado auxílio de outros membros do grupo, entre eles o professor Mokarzel. Por volta das 22:10 h, e até às 03:30 h da manhã, vários pontos luminosos puderam ser vistos na encosta do morro. Esses pontos não se movimentavam, simplesmente desapareciam e ressurgiam em outros lugares da montanha. Logo que amanheceu, uma caravana foi para o local entrevistar os moradores. Um deles, Joaquim, confirmou ter visto, no alto do morro, uma "bola de futebol" luminosa. Amedrontado, ele correu para a casa de um conhecido seu, o senhor Benedito Amaro, que mora a cerca de 400 m dele. O relato de Joaquim correspondia exatamente, até mesmo no horário, com os avistamentos do grupo no alto da Escola de Engenharia, onde havia sido montado um posto de observação. Na ocasião, foram usados binóculos e uma luneta de 30 x 60 mm, e estavam presentes o engenheiro Araújo, o médico Pereira, Alcides Rodrigues Moura e Walter Serrano, todos ligados ao Geoani, além de seu presidente Antonio Lisboa. Mas como podem ser explicados os constantes fenômenos ufológicos na região?

Por que razão as áreas adjacentes a Serra da Mantiqueira seriam uma das preferidas pelos seres alienígenas? Recortada por vales profundos, com rios de água límpida cruzando fraturas e depressões para formar corredeiras e cachoeiras, cercadas por paisagens deslumbrantes, essa cadeia de montanhas é constituída por terrenos muito antigos, com idade aproximada de 70 milhões de anos (dos períodos arqueanos e algonquianos). Trata-se de um dos principais acidentes geográficos do sudeste brasileiro. Na Serra da Mantiqueira (Amantiquira, na linguagem dos índios, que significa pouso das chuvas) as águas nascem e formam rios que dão origem a bacias hidrográficas importantes, como a do Rio Grande, que deságua no Paraná. Este, por sua vez, corre em direção ao sul e, quando sai do Brasil, recebe o nome de Rio da Prata. A região da Serra da Mantiqueira viveu dois ciclos do ouro, nos séculos XVIII e XX. Não obstante, de acordo com o ufólogo A. S. August, o subsolo seria mesmo rico em talco, que nada mais é do que silicato hidratado de magnésio _ uma massa mole, branca e esverdeada, escamosa e um tanto untuosa. "Não se conhece um processo econômico de obtenção de magnésio puro a partir de talco. Mas isso não impedirá que se descubra, com o passar do tempo, um sistema que permita retirar o precioso metal de seu silicato, com características de rendimento econômico e, até mesmo, em escala industrial. A título de ilustração, podemos informar que o processo atual, antieconômico, consiste em tratar o talco com soda cáustica, obtendo da reação dois compostos: silicato de sódio e óxido de magnésio. Depois da separação dos compostos, o óxido de magnésio é tratado com um redutor energético, obtendo o metal sob a forma pura", explicou August, para quem os discos voadores eram constituídos basicamente de magnésio, um metal branco, argênteo, muito leve e estável no ar à temperatura ordinária.

Largamente encontrado na natureza em forma de compostos, dos quais os mais importantes são magnesita, dolomita, cainita, carnalita e vários silicatos como olivina, estatita, amianto, serpentinita, espinélios, espuma do mar, talco, esteatita e outras, seu ponto de fusão é de 651° C e de ebulição é de 1100° C. Aquecido a certa temperatura, inflama-se e arde no ar atmosférico, em vapor d'água, gás carbônico etc, emitindo uma luz muito brilhante e ativa. Considerando a profusão dos casos de UFOs com aparência metálica, luminosa e esbranquiçada, A. S. August afirmou que esse aspecto é resultante do magnésio existente em sua composição: "A luminosidade poderia ser explicada pela reação do magnésio às gotículas de água em suspensão na atmosfera. Ela seria, então, resultado da combustão da própria estrutura dos discos voadores, que se desgastariam com o uso", especulou.

Seguindo esse raciocínio, e admitindo-se que os UFOs necessitassem repor o material, nada mais lógico do que supor que seus tripulantes estariam "minerando" a Serra da Mantiqueira. É oportuno lembrar o caso que veio a público quando, em 1957, o célebre colunista social Ibrahim Sued informou ter recebido diversos fragmentos recolhidos por um caiçara em Ubatuba, litoral norte de São Paulo. Segundo a versão divulgada, as testemunhas viram um objeto em forma de disco mergulhar no mar em alta velocidade e emergir rapidamente ganhando altitude. Parou, então, como se tivesse algum desarranjo mecânico, e explodiu no ar lançando uma verdadeira chuva de estilhaços brilhantes. Alguns fragmentos caíram nas águas próximas à praia e puderam ser recolhidos pelas pessoas presentes. Três pedaços, do tamanho aproximado de uma moeda de ásperos e leves como papel, foram entregues ao médico e ufólogo Olavo Fontes, da Comissão Brasileira de Pesquisa Confidencial dos Objetos Aéreos Não Identificados (Cbpcoani), que os encaminhou à Seção de Espectrografia do Laboratório Nacional de Produção Mineral, no Rio de Janeiro. Tanto essa como as análises subseqüentes da Aerial Phenomena Research Organization (APRO), dos Estados Unidos, comprovaram tratar-se de magnésio de absoluta pureza, com densidade de 1,866, enquanto a densidade do magnésio terrestre é de 1,741.



Rota de UFOs

Recheada por vales e picos, muitos dos quais repletos de minérios, a Serra da Mantiqueira parece ser o cenário ideal para observações ufológicas. Inúmeros ufólogos e grupos de pesquisa já confirmaram a alta incidência na região.

 


Confirmando a tendência ancestral do homem de privilegiar determinados lugares para manter contatos com o sobrenatural, os místicos e esotéricos do século XX elegeram o sul de Minas Gerais, especialmente as cidades adjacentes à Serra da Mantiqueira, como o núcleo cósmico do planeta, ou seja, o que abriria as portas e propiciaria o advento da Nova Era ou da chamada Era de Aquário.

 

Fonte: Revista Ufo nº 79